O que fazer depois do ensino médio: um passo a passo para começar a trabalhar
Ninguém entrega um mapa no último dia de aula. Veja as estradas que existem depois do ensino médio e o que fazer na primeira semana para começar a trabalhar.

Primeiro, uma coisa que quase ninguém diz
Na última semana de aula, todo mundo pergunta o que você vai fazer da vida. Poucos explicam como se decide isso. A escola termina, o uniforme vai para o fundo do armário e a pergunta continua ali, sem resposta pronta.
Se você pesquisou "o que fazer depois do ensino médio" ou pensou "terminei o ensino médio e agora", saiba que essa dúvida não é falta de capacidade. É uma dúvida de quem está num ponto de virada e não recebeu o mapa. Quase todo mundo que hoje trabalha numa área que gosta começou sem saber por onde ir, e foi descobrindo ao fazer a primeira coisa possível.
Este texto não tem a pretensão de dizer qual é a sua vocação. O que ele faz é mostrar as estradas que existem, o que dá para fazer ainda esta semana e onde procurar ajuda que não custa nada. Você não precisa decidir a vida inteira hoje. Precisa decidir o próximo passo.

O que fazer depois do ensino médio: as quatro estradas
Existem mais caminhos do que a conversa de família costuma mostrar. Vale olhar os quatro antes de escolher qualquer um.

Estrada 1: trabalhar já
É a escolha de quem precisa de renda agora ou quer aprender fazendo. Começar a trabalhar sem experiência é possível, e a maioria das pessoas começa assim. O primeiro emprego costuma ser menos sobre o cargo e mais sobre aprender como funciona uma rotina de trabalho, uma equipe e um chefe. Quem escolhe essa estrada precisa de documentos em ordem, um currículo simples e disposição para se candidatar muitas vezes.
Estrada 2: estudar
Faculdade, curso técnico ou um curso livre. É o caminho de quem já sabe o que quer ou prefere ter uma base antes de entrar no mercado. Estudar não custa necessariamente dinheiro, e mais adiante você vai ver as formas gratuitas. O ponto de atenção é não escolher um curso só porque todo mundo escolhe, sem saber como é o trabalho no fim dele.
Estrada 3: as duas coisas ao mesmo tempo
Muita gente trabalha de dia e estuda à noite, ou faz um curso gratuito enquanto procura vaga. Funciona, mas pede organização, porque o tempo é curto. Nessa estrada, o curso precisa ser realista: poucas horas por semana, e com atividades que caibam na sua rotina.
Estrada 4: aprender uma área com curso gratuito e prática
É a estrada de quem quer entrar numa área específica, como tecnologia, sem esperar uma faculdade. Aqui o curso importa menos pelo certificado e mais pelo que você consegue fazer ao final. Um bom programa gratuito dá projeto para mostrar, alguém para orientar e acesso a vagas. Quando for avaliar um, o texto sobre curso gratuito de tecnologia explica o que separa o que emprega do que só enrola.
Nenhuma das quatro está errada. A pior escolha costuma ser a de ficar parado esperando ter certeza, porque a certeza vem depois de tentar.
Quero trabalhar, mas não sei por onde começar: a primeira semana
Se a sua dúvida é essa, tente não pensar no emprego dos sonhos. Pense em cinco passos pequenos, que dá para fazer em poucos dias.
- Documentos (1): confirme que você tem CPF e crie a sua conta no gov.br. A Carteira de Trabalho Digital já existe para quem tem CPF, basta habilitar no aplicativo ou no portal do governo. O número da carteira é o próprio CPF, e o serviço é gratuito.
- Currículo (2): escreva uma primeira versão com o que você já tem, mesmo que pareça pouco. Mais abaixo mostramos como colocar o ensino médio e o que mais entra.
- Pessoas (3): conte para família, amigos e professores que você está procurando o primeiro trabalho. Muita vaga de entrada aparece por indicação, antes de virar anúncio.
- Vagas (4): crie o hábito de olhar vagas de entrada e se candidatar a algumas por semana. O banco de vagas e oportunidades do Corre mostra o que existe hoje para quem está começando.
- Registro (5): anote cada candidatura, a data e a resposta. Parece detalhe, mas é o que evita se perder quando as respostas começarem a chegar.

Para quem pensa "não sei fazer nada", vale uma observação: você sabe mais do que acha. Trabalho de grupo na escola, ajudar em casa, cuidar de alguém, vender alguma coisa, organizar um evento. Tudo isso é experiência, só que ninguém ensinou a chamar assim.
Como colocar o ensino médio no currículo
Essa é uma das dúvidas mais digitadas por quem acabou de terminar, e a resposta é simples. Na seção de formação, escreva o nome da escola, a cidade e o ano de conclusão, seguidos de "Ensino médio completo". Se ainda estiver terminando, escreva "Ensino médio em andamento" e o ano previsto.
Depois, acrescente o que mostra que você faz coisas: cursos curtos, projetos da escola, trabalhos voluntários, o que você aprendeu sozinho. Currículo de quem está começando não precisa ter cargos, precisa ter evidência. Quer ver isso na prática? O texto sobre como montar um currículo sem experiência mostra um modelo e explica o que os sistemas de seleção costumam procurar. Quando o assunto for a entrevista, o texto sobre primeiro emprego sem experiência ajuda a contar o que você já fez.
Jovem aprendiz: o que é e se serve para você
O contrato de aprendizagem é uma das portas mais conhecidas para o primeiro trabalho. Pela Lei 10.097, ele é voltado a jovens de 14 anos completos até 24 anos incompletos, tem prazo determinado de até dois anos e combina trabalho na empresa com um curso de aprendizagem. Empresas de médio e grande porte são obrigadas a contratar aprendizes, em uma proporção entre 5% e 15% das funções que exigem formação profissional, e é por isso que há tantas vagas.
Para saber se o jovem aprendiz serve para você, olhe três coisas. A sua idade, que precisa estar dentro da faixa. O horário, porque o programa tem trabalho e aulas, e isso precisa caber na sua rotina. E o tipo de formação, porque cada programa ensina uma área diferente. Algumas vagas de aprendiz ficam em áreas administrativas, outras em tecnologia, e vale ler o edital de cada uma com atenção.
Regras específicas de cada programa, como faixa de idade e carga horária, mudam de um lugar para outro. Antes de se candidatar, confira o regulamento da vaga e a página do Ministério do Trabalho e Emprego sobre aprendizagem profissional.
Dá para estudar de graça enquanto você trabalha?
Dá, e mais do que parece. Duas portas valem ser conhecidas, porque ainda existem muitos jovens que acham que faculdade não é para eles.
A primeira é o Enem. Para quem está no último ano da escola pública, o Inep isenta a taxa de inscrição, e existem outras regras de isenção para quem cursou o ensino médio em escola pública ou está no CadÚnico. A inscrição em si continua sendo obrigatória, mesmo com a isenção aprovada, e os prazos mudam a cada ano. Por isso, acompanhe o edital do Inep e a Página do Participante.
A segunda é o ProUni, programa do governo federal que dá bolsa em faculdade particular. A bolsa integral exige média de pelo menos 450 pontos nas cinco provas do Enem, nota de redação maior que zero, renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa e ensino médio feito integralmente em escola pública (ou como bolsista integral em escola particular). As inscrições abrem duas vezes por ano, e os detalhes de cada semestre ficam no edital.
Isso mostra que estudar e trabalhar não são excludentes. Muita gente começa a trabalhar agora, junta experiência e entra na faculdade com mais clareza do que queria estudar.
Trabalhar com tecnologia sem diploma: dá?
Se a sua dúvida é como conseguir o primeiro emprego na área de TI, a resposta honesta é que dá, mas pede preparo. Tecnologia contrata pelo que a pessoa sabe fazer, e um bom programa de entrada ensina isso na prática. O mais comum de errar é achar que tecnologia é só programar. Existem funções de produto, de design, de dados, de suporte e de projetos, e muitas delas aceitam quem está começando.
No Corre Digital, o Ciclo Básico é um programa 100% gratuito para alunos e ex-alunos de escola pública. Você aprende com atividades em grupo que simulam um produto de verdade, tem mentoria de carreira em seis sessões quinzenais por videochamada (currículo, LinkedIn, simulação de entrevista e plano de ação) e acessa o banco de vagas. Depois da contratação, existe ainda uma mentoria técnica de 90 dias para ajudar na adaptação.
Os números do programa são a taxa de empregabilidade de 73% entre os alunos ativos e a retenção acima de 90% depois da contratação. Se quiser conhecer, o cadastro na plataforma é gratuito, e a área de cursos, o Aprender, mostra como as aulas e as atividades são organizadas.
Cuidado com quem promete dinheiro rápido
Quem pesquisa como ganhar dinheiro logo depois da escola encontra muita coisa. Parte é legítima, como bicos, vendas e trabalhos por tarefa. Parte é armadilha. Desconfie de qualquer oferta que peça pagamento adiantado para você "liberar" uma vaga ou um curso, prometa ganho alto sem explicar o trabalho, ou peça seus dados e documentos antes de dizer quem é a empresa.
Uma vaga de verdade diz o nome da empresa, descreve a função e não cobra nada para você se candidatar. Se algo parecer bom demais, pergunte a alguém de confiança antes de responder.
O que fazer hoje
Você não precisa resolver tudo hoje. Escolha uma ação pequena e faça: habilitar a Carteira de Trabalho Digital, escrever o primeiro currículo ou conversar com uma pessoa que trabalha numa área que você acha interessante. A confiança aparece depois de fazer, não antes.
E se a pergunta continuar sendo "o que fazer depois do ensino médio", tudo bem. É uma pergunta que se responde andando.
Perguntas frequentes
O que fazer depois do ensino médio?
Se você pensa "terminei o ensino médio e agora", comece por um passo pequeno. Habilite a sua Carteira de Trabalho Digital, escreva um currículo com o que você já tem e olhe vagas de entrada. Ao mesmo tempo, avalie se quer estudar, trabalhar ou fazer as duas coisas, porque nenhum caminho é o único certo.
Como ganhar dinheiro depois do ensino médio?
Você pode se candidatar a vagas de primeiro emprego, ao contrato de jovem aprendiz (de 14 a 24 anos incompletos) ou a trabalhos por tarefa. Desconfie de ofertas que pedem pagamento adiantado ou prometem ganho alto sem explicar o trabalho.
Preciso fazer faculdade para trabalhar?
Não. Muitas funções contratam pelo que a pessoa sabe fazer, e é possível começar a trabalhar agora e estudar depois. Quem quer faculdade pode usar o Enem e programas como o ProUni, que dá bolsa para quem veio de escola pública e atende aos critérios de renda e nota.
Como colocar o ensino médio no currículo?
Na seção de formação, escreva o nome da escola, a cidade, o ano de conclusão e "Ensino médio completo". Se ainda estiver terminando, escreva "em andamento" com o ano previsto. Depois acrescente cursos, projetos e trabalhos voluntários que mostrem o que você já faz.
Como funciona a Carteira de Trabalho Digital para o primeiro emprego?
Quem tem CPF já tem a carteira emitida e só precisa habilitá-la no aplicativo ou no portal gov.br. O número da carteira é o próprio CPF, o serviço é gratuito e basta informar o CPF na contratação.
Dá para trabalhar com tecnologia sem diploma?
Dá. A área contrata pelo que a pessoa sabe fazer, e programas gratuitos de entrada, como o Ciclo Básico do Corre Digital para alunos e ex-alunos de escola pública, ensinam na prática, com mentoria e acesso a vagas.
Se você veio de escola pública e quer um primeiro passo do tamanho certo, o cadastro é gratuito e o Corre acompanha você no ritmo que for possível.
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